O OUTRO

Me desfiz de mim
há algum tempo
esse que tropeça
entre móveis, gestos
é outro mais incerto,

Aposto aos dias
às horas mornas
cego e absoluto
Menino Sentado - Portinari
de vazios, equívocos
viagens sem retorno,

Faísca em geleiras
seu coração rude
mãos calejadas                        
o arado nas pedras
a trespassar o desejo,

Abala os montes
acordos, os mitos
apura a veleidade
inútil das esperas,
do sonho impossível,

Falho de verdades
à beira do abismo
entre asa e vento
segue o caminho,
é outro mais incerto.

Comentários

  1. Respostas
    1. Obrigado, esse poema é uma reflexão sobre o "eu lírico" e os outros "eus"! abraço

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  2. Sempre muito bom ler você. Um passeio intimista pessoal nos seus versos tão pessoais. Admiro-lhe!

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    1. Grato, Suely, sensibilidade e inteligência são qualidades que fazem de você uma grande poeta também! Abraço.

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