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Mostrando postagens de Abril, 2015

PAISAGEM

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fragmentos de nenhum plenitudes de migalhas e sabor de poucos azuis,
minha paisagem cruza dos contornos do agora às espacialidades  nuas,
transpondo os mundos e os revirando em mar de um imergir miragens, lançando-se ao absorto para colher das estórias a que não será contada,
sei pouco de horizontes e paralelos e contrastes nesse olhar de sombras,
minha voz é do silêncio carcereiro das palavras que não alcanço libertar.

DELIBAÇÃO

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por sobre a mesa posta o desejo a fome o vazio e a lua transubstanciada salta o céu sem estrelas,
o corpo, ternura de vidro feito do metal em brasa esfria ao relento da noite sem o leito de um sonho,
pássaro a romper o voo pelo verbo da ausência sem que divise o pouso
para lembrar seu ninho,
rio engasgado na pedra sem represar desse grito as águas que rebentam dos envoltórios da alma,
sou pez que se dissolve dessa memória remota e bebo da seiva destilada a minha incompletude...

CAÇADA

meu abismo cifrado é na margem de mim que se estabelece fonte dos equívocos sinceros, sub-reptícios,
nesse metal forjado da ilusão entretecida de cavar os sonhos os malogros da alma fervem o pó das cinzas,
na ponta da lança a lua, feito a insígnia dessa noite apartada é o mais próximo do sol que a visão alcança,
a fera que me vigia não dorme na vereda sou presa fácil de mim e me devoro aos poucos entre os fios das horas.

MUDEZ

não disse palavra mas havia tantas presumidas vítreas vadias e tortuosas,
não disse palavra nem rio e nem flor nem mar ondeado nem asa de colibri,
nem brasa de gelo nem frio de chama nem forja nem liga aço sequer nem dor,
nem gosto ou sol nem a tempestade ou, do albor tardio o tudo recomeçar,
não disse palavra que ainda dormem desde o não sentido de tudo submergir...