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Mostrando postagens de Agosto, 2013

COR

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o azul se refaz em tantos ciano, ultramar, marinho qual cor vestirá o branco das nuvens pelo caminho?
os rubros se multiplicam vermelho, ruivo, carmim e restaura-se a alvorada numa claridade sem fim;
amarelos, círios, trigais a luz corusca de um jeito... o sol a dourar os montes exibe seu traço perfeito;
quero olhar desde o tom de quando aparece a lua, ao arco-íris pintar o céu no rosto cinzento da rua.
"Yo pinto como si fuera andando por la calle.  Recojo una perla o un mendrugo de pan;  es eso lo que doy, lo que recojo."
Joan Miró

TEIA

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enlaçado pelos fios dos ventos o louco passeia outros mundos,
não se dá conta de leis, artigos os vícios e mistérios profundos;
o que sabe é pintar nos murais rebeldia em noites de lua cheia,
e observar com muita precisão a dança da aranha em sua teia;
também ele se sabe observado preso a cordas que não alcança,
mas o que quer é tão-só existir         seguir esquecido em sua dança;        
vale mais o abismo que as asas a fantasia rota que o brinquedo?
o que vale mais que a liberdade das prisões tecidas em segredo?


INVISIBLE PRISONS
ensnared by the wires of the winds the crazy guy spreads a conspiracy,
he is not aware of any law, prisons this severity of the deep mysteries;
what he knows is to paint the walls rebel who awakes in full moon nights,
and he observes with very accurately the Spider dance between the lights;
and he also knows what is observed is stuck to strings that can not reach,
but what he really wants is only live be forgotten and dance on the beach;

VISÕES

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Colheram umas flores oblíquas Depois partiram sem prevenir,
As chuvas que vieram, caíram, E os ventos continuaram a ir...
Quanto pude detive o tempo Na boca de ocos desfiladeiros,
Asas de aguaceiros que tenho Tingiram de estrelas os tinteiros;
Pediram estórias e cadências Depois seguiram em revoada,
Sem ler a estação ou largura Dos mistérios signos, e nadas...
Quanto pude concebi marés Fui aventurar outras dimensões,
Olhares de abismos que tenho Ressurgem por entre as visões.

LÂMINA

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Cada dor está em seu lugar Nem divido a ordem do tempo O viajante está em seu lugar Também o dia, o pensamento
O vigia que planta a aurora Aqueles em fuga na ventania A mulher, a janela, o espasmo Do verdugo em sua litania
Tudo no lugar que lhe cabe Borboleta partida, poeta ferido Não rebato dúvida, causa do ser Nem a porta que já não abre

As garras retorcidas do talvez
Cascas fendidas, tentações
Esses sonhos que furtam a lua
No espesso leito das visões

Cada dor tem o seu lugar Seja mar, colina, céu nublado Os loucos em redes de pesca Bêbados por todos os lados Os castos a despir-se o amor Corruptos a revolver o cinismo E o destino tem o seu lugar  A lâmina nos olhos do abismo...

EVA

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os olhos falam sem dizer o silêncio grita sem falar, os mundos se dispersam a luz envolve as trevas,
lua sanguínea ou névoa o universo se recompõe, e a vida encontra pouso no ventre ditoso de Eva; descobrir-se o seu olhar é ver o mistério da vida, a lágrima cai no abismo nasce a estrela primeva,
a carne, o sangue, a dor a gestação das esperas, todo caos se apascenta no ventre casto de Eva;
devia guardar do sonho     da água, da chuva, o rio             e as aves livres da noite e do tempo que me leva,
do deserto, da verdade de toda a vida humana, para renascer outra vez do ventre fértil de Eva. 

GIRASSÓIS

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Os girassóis no cartão postal        quase a saltar fora do papel me fazem recordar o artista,
Um tom de ocre e terracota uma vila em que não estive e girassóis a perder de vista;
Há alguma coisa de mistério em tudo quanto permanece como a invadir vida adentro,
E escapa como um sussurro tempo que não se restaura como folha levada ao vento;
Mil tons de amarelo a girar das cores se fazem mundos tantos que bem reconheço,
E a vida refeita, perceptível, segue ao ritmo da trajetória      dos girassóis que anoiteço...