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Mostrando postagens de Setembro, 2012

DECLARAÇÃO DE CULPA

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Sou culpado de subir os degraus  que a lança do sol não quis vencer  e crer em coisas que não acontecem porque um dia podem acontecer, sou o culpado dessa fé persistente do café embotado na xícara sem ler o borrão no último gole do ser de ficar quieto, e continuar a viver;
Sou culpado pela insolência do porte pelo desafio da alma, a taça quebrada o açúcar derramado, a poeira no livro pelo sangue no dedo ao cortar o raio  que interrompe o convexo e a maçã, sou culpado pelo pecado mesmo e até pela anuência do pecado na condenação sumária de querer; 
Sou culpado do verso que não fiz pela areia no aparelho sanitário pelo assombro falso de sorrir sou culpado pelo tumulto da ordem pelo tempo partido nas asas do colibri, sou o romântico e a desculpa piegas para o entrevero tosco do final e pelos beijos fadados a me trair;
Sou o simplório culpado, o esperançoso aquele que fica a espreita da luz depois que a aurora cede lugar à manhã sou o atordoamento de ter culpa desde sempre e antes do nascer mesmo que pudesse me defen…

Desapego e outros poemas

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DESAPEGO
Quero passar pelo mundo De uma ponta a outra da sala de espera E não me dar conta na memória Daquilo que me possa deter o olhar,
Que tudo que existe é fátuo Diante das coisas a penumbrar Assim deve-se seguir sem amarras, volátil Como bolhas de sabão pelo ar,
Que nem tenho posses, tampouco fazendas Ou possibilidades de ganhos Mais que reprimendas e uns poucos recursos De que não me posso orgulhar,
E estar despegado de tudo É a proposta de quem tudo me vai levar Nem a posse de mim mesmo me valida Para jogar apostando a vida.





INVENTÁRIO
Ali, guardados entre os despojos Da velha estória, zuniam obscenidades Os vazios largados dos desejos,
Esses que por medida nunca vinguei Dos cortes a sangue frio no medo E do mofo das impossibilidades,
Estavam crus, indolentes, sem vaidades Servis e rasteiros, ocos de mim... E creio mesmo que nem os notaria,
Não fosse aquele som a retinir Grudento como um molusco na alma Açoitado pelo inventário das saudades.

Ofício e outro verso

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REFÚGIO
Pouco mais de um começo infinito Segui nos carreiros de Andrômeda O extenso dos campos que habito
É por isso que sei os nomes dos rios Que atravessam a alma e a funde Entre toras de palavras e calafrios
É por isso que resisto à combustão Ao lançar luz aos umbrais, e enfim Abrasar o temor, a noite e a razão
E vejo mover cada onda colhida Mesmo que não exceda o sentido Das causas e implicações da vida
E não traga mais que as incertezas Da jornada que o silêncio inundou Na maré onde se espraia a beleza.