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Mostrando postagens de Março, 2013

APEGO

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mais que tudo a ponte e o artificio a gramatura do absoluto e os fragmentos do início
mais que tudo a contrafação do espanto os territórios indivisos as substâncias que decanto
mais que tudo o imprevisto da estória a iminência dos perigos o jogo de inverter memórias
mais que tudo a solidez das armadilhas a palavra atrelada ao limo o vento que o corcel encilha
mais que tudo a rebeldia das sobras a prima-dona do Armagedon o transe da última hora
mais que tudo a tatuagem dos sentidos a escrita profética das ondas a lâmina de manter-se vivo.

VERBO-METALURGIA

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Falo do que não sei mais definir
Do que se perdeu entre zunidos
Nesse idioma feito de contrários
Esfinge de um dialeto esquecido

Falo da vida o que devo contar
No transe de entornar a aurora
Do que foi dissolvido no arquivo
E persiste arder do lado de fora

Não falo do que vai por dentro
A erguer baralhos de esperanças
Em castelos que se desmancham 
Sob a ventania das lembranças

Da alquimia que me transborda
Do aniquilamento no qual refaço 
Esse crisol que não posso conter
Em fundir palavras feitas de aço. 

ALÉM

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já fui jogado ao esgoto
mas não me importo
da lama colhi flores 
das mais prolíferas

brotam pelas palavras
desse lodo de negrume
desse silêncio que semeia
entre sangue e estrume

tenho asas maiores 
que a distância que grito
de mim e das coisas
não circunscrevo o infinito 

não me insiro no pilar
que sustente ideia e calafrio
nem das alturas dos sonhos
presumo um desvio

me basta a incerteza  
o não sei quê de abrir a porta
e ver além das verdades
é a única coisa que importa

já fui jogado ao esgoto
mas não me importo
da lama colho as flores
que voam por onde as solto.

SOPRO

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Ouço de um mundo imaginado Os ecos sem rumo que rebentam Por entre ventos a inventar festa De bandeiras a saudar o tempo
Quis dançar e no enlevo da vida Tal menestrel do planeta errante Girar nos arcos do sol incendido Entre vestais bêbadas e amantes
E contar segredos que não ouvi Suspenso entre a vida e o sonho Livre nas asas da estação que vai Pela brevidade de que disponho
Pois o caminho que amanhece Esse que continuará em verdade É o sopro humano que diviniza  E não a duração da eternidade.