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Mostrando postagens de Junho, 2013

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a nuvem que imagino cinzenta no mar de céus de tempestade me inspira dizer qualquer coisa que não reconheço de verdade;

ou se não falo e somente penso a imagem que me vem do olhar muda tudo em redor em poeira
a chama que parou de queimar;

queria ter o romantismo da dor bebida em goles de precipícios ou ser uma sombra no deserto ou cobrir o sol e arder os vícios;
o que trago é minha incerteza anexa ao suposto de tudo além que importa umas nuvens cinzas ou quaisquer verdades também?

TAÇA

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Quando estou triste É como não estivesse Me ajusto à máscara O assombro acontece
Quando vou alegre Visto sol mar ventania Viro a folha do tempo E reinvento a liturgia
Ou triste ou alegre Nos mundos contíguos Sei o quanto resistir                                                              De avarias e desígnios
Ou alegre ou triste Apenas sei o que minto E a verdade na taça É água pura, vinho tinto
Ainda que campeie Extensas madrugadas Seja alegria, tristeza... Tudo dorme, não é nada
Tudo sonha no circo Os ensaios do porvir Quando findar a estória Outra vai-se repetir...

VIAGEM

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quanta coisa que não atinjo se estende vista afora
com a ponta dos dedos sinto quase tocá-las agora
como se escorresse um rio que se vai embora
rio a dividir essa assiduidade dos dias, das horas
e a tudo dilui no refluir de asa                            que se evapora
as pedras líquidas de sonhar... o mistério devora
o peso de buscar um sentido... nenhum mar ancora
aguardo retornar de um lugar que se demora.

ESTANTE

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ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi;
o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas;
guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível;
o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas;
tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem...
não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

MEU POEMA

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Vi uma esperança Quando abri a janela Saltou junto à luz Rente ao sol trigueiro De acender a manhã;
Vi uma esperança No olhar da moça Que calculava a rota Muito tortuosa De uma estrela anã;
Vi uma esperança Na tarde encurvada
Dos olhos brilhantes
E libertos de tudo
De uma anciã;
Vi uma esperança Na cratera da noite Entre claves e zelos Atravessar a parede Da sorte malsã;
Vi uma esperança Que digam o contrário Ou disfarcem o silêncio Continuo a vê-la Ainda que seja vã.