Postagens

Mostrando postagens de Julho, 2014

ENSAIO

Onde a flor pausa a abelha inicia, me pego na leitura do que prescinde de palavra,
O silêncio diz mais quando acorda do nada, os sons que faço por apurar na madrugada,
Liturgia triste essa de olhos sem ver o que passa, entre espaço tempo corpo e alma nua,
Quem disse que não é fácil viver, nem provou os modos, todos impossíveis, de atingir a lua.

VERTIGEM

Imagem
Para me lançar do modo incisivo levo o fogo no sabre o raio na esfera o beijo na boca,
Caem muralhas e um rio secou anjos foram banidos... mas a asa pulsa sucessiva e louca,
Há que salvar depois da queda um quê de fantasia que faça romper dos olhos tristes,
Mais que tudo essa consciência de libertar-se o ideal da rasa vertigem que nos resiste.

MIRAGEM

Imagem
O que trago é nuvem guardada há muito mas houve um tempo
de azul sem névoa em que voar marcava o corriqueiro do dia;
Perdi-me de mim não plantei os sonhos dissipados que foram,
mas ainda me falam numa língua perdida, as dúbias estrelas;
O que resta agora? - afundar o céu no lago onde a lua se espelha,
lançar as pedras devassar os mundos, e recompor a miragem.

CICLO

Imagem
O mecanismo do desencontro engendrado em teares de dias onde as horas tecem esperas,
E as engrenagens a mover-se num círculo de voltas sem fim no pó de átomos e borboletas,
A vida é máquina sem direção como uma escada a submergir
em espiral num mar de sonho,
Num repente de chegar ao fim e se perder nos azuis remotos sem concluir o que se demora, 
E tudo retorna ao seu começo quando não havia do universo senão o átomo, sopro da ideia.

PROJEÇÃO

Imagem
Uma pedra constrói o seu voo do ponto que a nuvem é sombra,
Uma vida ergue sua vontade da sombra que a luz desembaraça,
Tanto o peso quanto a asa fluem um equilíbrio de forças inexatas,
Existir é voar extensões de céus sobre o deserto diluído em fumaças.