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Mostrando postagens de Novembro, 2015

URGÊNCIA

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daquelas palavras ouviam-se corais e intumescências,
labirintos aquáticos, transparências   de antes da evolução,
naquelas palavras rastros dos seres sem genoma traduzível,
e as umidades das eras feito poeira a pulsar contrafação,
eram palavras selvagens como a ira dos fogaréus míticos,
a desafiar a longevidade dos ermos e o silêncio dos vulcões,
eram palavras como garras de leoas a dilacerar temporais…
cujo significado urgia da premência 
que já não sei mais.

CONTRASTES

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era forçosamente uma tarde como as outras inserida em seu instante nulo e insignificante,
como o esvoaçar de uma asa moldada em pedra ou o espaço sem profundeza de um mar represado,
e mediam-se os cartesianos das esquinas as fosforescências do infinito o gradiente da rosa,
a tragédia da dançarina nua a música das pedras todo ritmo em sua sincronia o ressoar das horas,
as umidades dos batráquios a coaxar o nada a desmistificação dos signos e o elixir da vida,
no mais fundo de si mesmo um grito humano extraído da superficialidade é o que destoa de tudo.

RECEITA

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prepara das sementes do orvalho mais puro e da noite mais doída as páginas da alvorada,
tira da garganta o nó e do vazio, as embolias semeia pelos campos o alimento e os sonhos,
liberta tudo da alma pelas doces alquimias recolhidas nas ondas além do fim das horas,
recolhe as mil gotas da chuva evaporada do seu último pranto e dos dias esquecidos
e das palavras inúteis dos cadernos secretos das mágoas em cinzas entalha outro mármore,
revive das parábolas a seiva da promessa lembra à humanidade essa palavra sem dono,
dispõem pelo infinito todas as substâncias aquelas da sua alma e essas dos universos,
as químicas de existir sem pressupor limites e a liberdade de navegar sem repartir territórios...

FALLEN ANGEL

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como ruído no corredor da casa a chama cambiante de uma vela ou uma janela entreaberta no ar, como a música abafada ao longe o aceno de uma mão na estrada e esse pássaro indefinido a voar

como ondas perdidas no deserto um sussurro que traz a ventania e essa ausência fixa no espelho,
como uma sede que nada sacia como o beijo de um anjo perdido numa boca a sorrir em vermelho…

DURA LEX

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um espaço, uma vírgula, um ponto lá se foi uma ideia deambular o não sentido na ação de pôr-se claro um conceito inútil um espaço, uma vírgula, um ponto;
quanto esforço para dizer o indizível, quanta azáfama, quanta falta do que fazer a torneira da pia precisa de conserto há lixo nos escaninhos inconfessáveis do sexo poeira na alma, secreções a serem limpas;

um espaço, uma vírgula, um ponto o teclado inteiro grita, os móveis, os quadros é necessário irrigar as gavetas estéreis ser cúmplice dos grifos que riem na praça;
medir a órbita de Vênus, pichar os muros exorcizar fantasmas, cometer avarias acender velas ao diabo, lutar com deus sufocar na fumaça, abrir os veios dos rios… ...revirar a vida nessa teimosia de sonhar.