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Mostrando postagens de Março, 2014

OUTONO DE PAPEL

Folhas avulsas no chão, nas ruas lixo indulgente,
pedaços de papel guardanapos folhas de jornal,
bulas de remédio bilhetes amassados panfletos voadores,
páginas rasgadas rascunhos de teses convites recusados,
recibos vencidos mapas improváveis lição de casa,
folhas avulsas no tempo, no espaço onipresentes.
São as águas de março fechando o verão... Tom Jobim

O OUTRO

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Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto,
Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto de vazios, equívocos viagens sem retorno,
Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo,
Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível,
Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.

TEIA

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Voo baixo dentro da sala para atravessar as palavras,
Em teias e nuvem em fios tecidos na poeira que salta, Estrelas a brilhar presas na armadilha luz, e a aranha
A desfiar o tempo diz-se, do nó que infringe 
o pensar.

CONFRONTO

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Em nichos de pó, arquivo coisas que duraram muito agruras, motes e ensejos,
entre renúncias, ou falhas, tudo quanto constituiu ser fração de um vazio detido,
coisas duras como tempo a dilatar-se pelos espaços e asas fundidas na chuva; Pressupõe-se uma ordem de tudo quanto preservar ou, do que atirar ao fogo?
no desencontro do incerto a lâmpada que vejo acesa   devia-me lembrar estrelas,
porém, silenciosa ilumina a poeira gasta das pedras  que um dia foram estrelas.

MOTO PERPÉTUO

Sei das alturas do profundo abismo que insurjo,
guardo em ondas a verdade dos castelos de areia,
revolvi em voos o desapego de gerar cuidados,
escambo silêncios nas feiras de subornar gemidos,

trago essa fome de lembrar um tablado de estrelas,
refiz pontes para apaziguar o vazio do mundo,
esqueci caminhos, retornei, ainda estou aqui...
como extrair o sumo de crer a inextricável alegria?

COM UM BEIJO

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Plena sorria que começa outra sorria, que afianço quanto será bom,

Atravessa o medo perde o tempo e se afoita existir além do tom, Sorria, nos lugares todos da terra nos montes e flores nos dias, e noites,

Sorria aos homens às dores, às causas aos porquês, aos nãos e aos amores,  

Liberta sorria que verdade é a luz que fala dessa cor de estrela e mar,

Gesto brando de flor se abrindo, sua beleza se torna parte do que há,
Sorria ao tempo ao acaso, e à poesia asa avessa no vento        real ou fantasia,
Terna sorria na volta e na partida sereia luminosa, voa ávida pela vida.

Sendo o ápice da criação, a mulher, por decreto divino,  guarda em sua alma a imensidade do universo. J. Ribas

FONTE

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É isso que fica de saltar a alma em quanta paixão que ainda há
e tantas que sempre vão emergir e ser vastidão sem definir o mar,
É isso que se faz nos caminhos ouvir o vento que a tudo silencia

vestir terra ou desnudar o regato e ser tempo, sem assomar o dia, Ou se terá a medida do imenso nos territórios que ainda somem
números que possam quantificar tudo o que infinda ser o homem,
Tudo, exceto as asas do beija-flor que têm esse jeito de viajar além
e atravessam universos, na fonte do movimento, do átomo e da cor.