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Mostrando postagens de Setembro, 2017

DO QUE SEI

me custa é deter da tempestade a lucidez que não sei traduzir é trazer dos caminhos que andei a distância que não foi vencida,
me custa essa nudez de desertos e o silêncio de um mar esquecido e o que quer que circule a rota das sombras de noites sem farol,
sei desvelar das gotas de chuva uma ânfora que não esvazia a dor sei ler nas estrelas essa falta que não se coaduna nas palavras;
me custa é apreender pelas horas no eclipse sem fim da eternidade e essa álgebra escrita em brasas de átomos a multiplicar os anjos,
me custa retirar algo do sentido de nada possuir qualquer sentido e alcançar a eloquência do vazio no eco que se basta por si mesmo,
sei da espera que devora, e adia desse hemisfério de seres adiados sei de toda história mal contada e de todas que não se deve contar...

BROKEN HEART

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DISPERSÃO

os olhos que não me vejo e que no clarão se escondem onde não encontro retorno por uma luz que me faltasse,
as mãos que não me toco e rasgam na pele de espuma de tramas, pelos, desertos uma alma que se entorpece,
a boca que não me beijo a vibrar lua adentro na noite geme relâmpagos na rocha onde adormeço as palavras,
o corpo que não me levo e que oscila vazio de desejos sólido, nu, e transparente    e se faz em átomo disperso…

SEM PALAVRAS

me ocorre o gesto inacabado de olhares se indo na distância como a onda sugada na areia quando rebenta a fúria na praia;
e mãos que se deixam tocar mais uma vez, antes de se irem ambas, por caminhos opostos num diapasão de desencontros;
isso que se põe sob o oculto do que é sombra sob as ruínas de poucas garantias, e medos e tudo que se despe no espelho;
me ocorre mil noites sem fim e os dias que não se completam lugares que não se chega a ir entre estradas que se bifurcam;
umas canções a esse respeito maldizem esse silêncio disperso enquanto a lua em sua vigília inventa a esperança dos loucos;
todo o mar a perder de vista como se o tempo nem existisse voa nos sonhos que esqueço e surge a poesia, sem palavras...

CORAGEM

rezo em minhas noites de insônia para o recôndito deus que se apiede dos meus medos, e desses medos que nem sequer os carrego em mim;
e às vezes, ouço na cor do silêncio a distância entre minha alma e a sua como se juntos, pudéssemos compor a materialidade de todos os vazios;
diante da minha incerteza o flagelo da inconstância, e do pouco zelo por tudo quanto é servil, e humano tudo quanto se presume da verdade;
uma medida para gestos, e desejos outra para o tempo, para as estrelas a fantasia da liberdade pinta o céu de um azul que não se pode lembrar;
não posso escolher o que seja real dessa irrealidade que desenha a vida o que guardo de mim, é a coragem de seguir à frente do que me ofusca;
nas minhas noites de insônia finjo que adormeci para além do que seja e o deus – ao qual me apego em vigília, é o sonho que torna possível existir…