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Mostrando postagens de Agosto, 2015

TEMA

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carrego a minha música interior por uma trilha extensa em mim aberta desde que me dei conta de seguir das ilações ao destino,
levo esses concertos de cordas no arpejar de memórias, e ouço sem orquestração, ou partitura os abismos que enchem a alma, carrego a sonoridade do engano o confluir dos ritmos marcados das metafísicas pouco plausíveis que me dei por falar às estrelas,
e mesmo a perder rumos, sigo entre os solavancos do universo, num silêncio contíguo ao eterno o transbordar do tempo sem fim .

MICRO-UNIVERSO

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estava nu com a minha displicência para a compostura sem lembrar o como vestir das roupas e fatos apropriados no instante das núpcias imprevisíveis da terra e do céu,
estava nu com a minha incongruência para a verdade sem conhecer o mínimo possível das convenções especificidades percentuais, estatísticas do somatório que resulta o fim,
estava nu com a propriedade fidedigna dos seres que não apresentam adornos, marcas idolatrias hipóteses pudores modas e o corpo fluia rio indissolúvel,  a correnteza de saber-se.

LIRA

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as horas adormecem entrelaçadas memórias de anjos interrompidos, em cada ângulo da sala expiram ventos na janela,
uma lira de expectação na espiral do remanso soa o não senso de tudo, calam-se gestos, e ecos e nada os pode decifrar...

dizem que os faunos dançam sob a lua cheia e beijam as ninfas azuis para reter parte do sonho antes do esquecimento,
que o mundo se perdeu na geometria das certezas sem saber que tudo vaga onda imersa, cerração em oceanos de imaginar...

AUDIÇÃO

me surpreende uma visão que prescinde dos ruídos e das atenções do mundo,
se eu vivesse sem escutar a farsa absurda de mentir e o manejar das verdades,
se por instantes – apenas, pudesse filtrar no silêncio esse ritmo da consciência,
e reaprender a linguagem que destina luz às estrelas ou sonho, ao que padece,
talvez entendesse os sinais que esqueço despercebidos sem desferir palavras no ar...

EM PEDAÇOS

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devia tragar as montanhas devia beber todo o mar mas a inteireza das coisas já não me bastava para compor essas palavras feitas em pedaços;
era luz ou era raio o céu no transe de espelho? era verdade ou mentira
o beijo que me feriu a boca? corri pelos desertos sem asa de me levar os pés;
da vindima da tarde destilo o vinho de anoitecer numa lâmina afiada sangram as dores do mundo as palavras emudecem elos desfeitos na nudez do aço. 

AWE

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sou pequeno demais grão de areia perdido entre os outros grãos fisgados pelo sem fim,
me enleio em estrelas que as suponho existir na chama recorrente de um tempo já findo,
mas é nesse espelho que também me vejo diluído numa imagem a se perder na poeira,
imerso no sonho vou sem escolher a direção tudo se une no pleno a unidade no reverso,
extasiado vejo átomos vida que regira sem fim a imensidade absconsa
transborda-se em tudo,
esse meu grito agora quem haveria de ouvir? de qual galáxia azul ouço todo esse silêncio?
se falta a outra parte para atingir o sonho não aprendi o idioma do início dos tempos,
apenas posso olhar e me recolher na luz dos sóis que cintilam por outros universos,
e quem sabe, ao tocar o rosto mais próximo possa então relembrar o infinito desse mundo...

COLIBRIS

a poesia é um estado de permanência aguda o poema é que passa sem deixar traço nódoa,
quis testar as palavras é inútil faina e colheita dos números sei infinito de uma conta inexata,
que entanto, completa sem alcançar a medida e deita ao infinito bruxo sua incerteza honesta,
as palavras enganam atropelam, e esfolam colibris acesos no vento a embater os mundos,
dessa forma delicada meio que imperceptível a premir num instante tudo quanto se extasia...

VISÕES

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há espaços entre as estrelas que jamais foram explorados diz-se de ecos que se abrem entre os átomos a colidirem,
há horas em que se afundam mundos submersos em caos há nebulosas que se dissipam em espirais de luzes e vazios,
há olhares que se desarmam por buscar outro modo de ver que faça surgir da tormenta os veios estanques do mundo.

DIÁRIO

não estava preocupado com a posição da cadeira o giroscópio o guarda-chuva ou as pautas do cotidiano,
lustrava o vazio dos copos os insetos da varanda as plantas dentro do relógio o peixe empalhado no teto,
pintava umas borboletas na órbita lustrosa dos olhos lambia as ondas da praia que se estendia pela janela,
polia o mecanismo do vento observava nas asas da lua os lêmures em slow-motion a afundar entre as nuvens,
escutava músicas coloridas escrevia hieróglifos invisíveis  comia eufemismos baratos e fotografias velhas em P&B,
não fiz mais por me gastar com a roupa nova do rei, no mapa do tesouro perdido há tempos, me desencontrei...