EM PEDAÇOS

devia tragar as montanhas
devia beber todo o mar
mas a inteireza das coisas
já não me bastava
para compor essas palavras
feitas em pedaços;

era luz ou era raio
o céu no transe de espelho?
era verdade ou mentira
o beijo que me feriu a boca?
corri pelos desertos
sem asa de me levar os pés;

da vindima da tarde
destilo o vinho de anoitecer
numa lâmina afiada
sangram as dores do mundo
as palavras emudecem
elos desfeitos na nudez do aço. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

SEM PALAVRAS

CORAGEM

GIRASSÓIS