CICLO e outro poema




CICLO

Não tenho o que fazer
E então imagino versos
Melhor do que guerras
É reinventar universos

Melhor que navegar só
Ter palavras na vereda
Mais denso que cálculo
Ou musa que interceda

À falta de aventurar-se
Enlouqueceram muitos
Já desaprendi as regras
Dos contratos fortuitos

Deixo a cargo do acaso
Redescobrir a liberdade
As cores de pintar o céu
As paródias da verdade

Não preciso saber muito
Nem desejo saber nada
Nada tenho a que fazer
E reinicio quando acaba.




DESEJO

ambicionava montanhas
na minha cidade não há
assim invento mergulhos,

e me preencho de alturas
que não posso escalar...

precisava de temperança
na minha cobiça não cabe
assim, me rendo à gula,

e tomo o mundo com ganas
mesmo que não o engula...

a necessidade me leva
em busca de uma alquimia
de transmutar os enganos,

e me aferro à lacuna
dos meus anseios humanos...

Comentários

  1. Sou apreciadora do que escreve. Nossa, seus poemas são tão refinados e dizem tanto! Parabéns!

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    1. Obrigado pelas palavras! Tento passar um pouco do que sinto da vida, das situações, das coisas que me rodeiam. Não sei se tão refinados, mas são versos sinceros. Abraços.

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  2. "assim, me rendo à gula,

    e tomo o mundo com ganas
    mesmo que não o engula..."

    - Muito bom!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grato, caro poeta! É bom quando o leitor se identifica com o verso. Seus textos também são expressivos e de muita força imagética. Abraço.

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