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Mostrando postagens de Fevereiro, 2017

LEITURA

Há certa graça em se guardar flores sem vida dentro de livros,
Como arquivar o tempo que foi mas se demora a concluir o giro,
Mas tudo passa sejam certezas ou a imprecisão aonde me crivo,
Entre o silêncio e vãos obscuros fixos na página enquanto deliro...

DARK VELVET

a soprano de névoas cantava meus pés cansados a minha vida sem graça os meus dias contados,
o som de uma agulha cerzia o silêncio das cinzas meus olhos vigiavam a rua de um ponto nas nuvens,
a poeira se multiplicava em estrelas pelo céu enquanto a luz escorria nas poças de água da chuva,
pessoas rezavam nos becos preces já esquecidas para que o sono os acorde de um deus feito de espinho...

FLOR

das primaveras sem cores de descaminhos e atalhos uma flor que durou pouco floresceu entre um jardim,
nem urze nem crisântemo ou rosa de maio ou hibisco violetas açucena hortênsia nem papoula tílias jasmim,
fosse uma bromélia acácia nenúfar bonina ou narciso açafrão e mirra ou sândalo a inflorescência de alecrim,
flor que não se arrisca flor nem semente e nem trigal sem bálsamo nem espinho rastro sem começo ou fim,
de primaveras não floridas fora da girândola do tempo num jardim que não existe murchou-se a flor em mim.

SAMSARA

sim, estou perdido demais para ensinar um caminho e não vou esconder a fogueira para abstrair sobre o escuro,
desconheço se escolhi certo mas sei como é estar aqui pode não haver mérito nenhum ainda não provei meu limite,
dispenso as apresentações listas, uniformes, recibos as normas a serem seguidas essas diagramações de sentir,
dispenso a dosagem certa  a roupa de frio, e os chás manter o foco, comer aveia e os estágios para o sucesso...
roteiros excluem descobertas leis não impedem terremotos ditadores, um dia, morrem medo é o búnquer da liberdade,
seja por qual for o preço vale a pena gastar a vida no fim, o resultado é um só que tempo é moeda sem retorno

DICOTOMIA

Imagem
uma chuva molhava as últimas esperanças daquela manhã,
como se não houvessem estórias, novas ou velhas para se contar,
o mundo despedaçado deambulava pelo espaço sem mover as eras,
não havia planos os discursos proféticos as situações de risco,
os pássaros mudos e os espelhos cansados vestiam reticências,
a nudez de uma vela aquecia de névoa uma espera sem desejos,
o silêncio de tudo soava como o relógio em contratos com o tempo,
não havia verdades e todas as razões pulsavam, sem dicotomia.