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Mostrando postagens de Setembro, 2015

IDIOSINCRASIAS

tenho minhas antipatias de barulhos na madrugada cachorro latindo insistente defeito na torneira da pia,
tenho minhas esquisitices não sei organizar gavetas arquivo chaves sem uso e abomino guarda-chuvas,
tenho os meus conceitos de não interferir no destino aceitar a toda insanidade me permitir dança e cores,
tenho as minhas dúvidas de dogmas heróis utopias do futuro desse planeta a ciência quântica da teoria,
tenho uns meus êxtases de bem cedo ver a aurora andar na chuva sem pressa esquecer de mim na poesia.

CORPO

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o corpo é do espaço a matéria na pulsão o mistério de ocultar naquilo que desvela,
o corpo é do cálculo nem tanto numérico pois ainda mutilado da medida que nega,
o corpo é ausência na sua corporeidade quando se dissocia das químicas etereas, corpo é construir-se crisálida, e fantasia partícula da gestação que move o universo,
cada corpo rebrilha seus átomos, e sóis albuminas, e seivas em delícias de gozo,
que o corpo se doa a expressar no gesto da alma que abriga a plenitude em tudo.

MOVING

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the moving is all everything get moving the soul moving up and always moving,
the moving sound the silent moving and now we let clap and feel the moving, the moving of body the so blues moving and we don't need map to follow the moving,
the world moving to fly our dream is moving because never go stop we'll keep us moving.

FUSÃO

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teso em seu corpo mergulho o abismo e afundo epiderme para brotar chama, unidade no diverso simetria no eclipse amálgama do sonho sob o véu da trama.

DANÇA

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tudo é dança vento e carrossel roupa no varal olhar pela janela,
tudo é dança a flor a montanha o barco o fogo a fita da menina, e tudo dança no improviso no sol na chuva no trigal na sala e na rua,
pois na dança se libertam as asas para que se voe
os infinitos do mundo.

RETRATO

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falava pouco, aquele retrato tecido em silêncio inaudível  dizia muito a remoer o pasto pelas regiões de não lembrar,
depois, emudecia as estórias no entornar de mares vazios, - onde encontrar “o que sou” de outro tempo já exaurido?
“o que sou” de agora refazia a imagem, às vezes, nublada a derramar-se em chuva gris numa dimensão de imaginar,
escuto das cores desbotadas plainar meus olhos distantes a tessitura das horas na teia numa linha a tecer universos,
porém, não ouvirei do retrato mais que sombra e ausência como uma praia já esquecida cujas ondas não podem voltar.

DESCONEXÕES

meu amigo fala com formigas falo pouco com ele ele prefere as formigas e faz bem as formigas carregam açúcares mais doces que as palavras e não falam;
não têm tempo livre enquanto gastam das vidas o necessário para cumprir seus ciclos não pensam no eterno (ao contrário do formigueiro humano) ou, que haja um fim;

penso no simples
dessa consciência sofisticada
num organismo unívoco
sem planejamentos
cálculos, ou fibra ótica
a viver sua insignificância
em tão perfeita harmonia;
se mal suspeitamos da existência no planeta os insetos, a poeira, a fumaça dão seu recado e nós, seres vazios de imaginar reencarnaremos formigas, (meu amigo que me contou...)

PÉ-DE-VENTO

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a noite chove de estrelas no meu teto goteja a lua qualquer coisa de longes vem contar que tudo voa nesses confins de não ter,
tenho a cobiça que falta tem-me a sede do olhar mas o que fala é remoto de um sentir não inteiro onde tudo se faz apagar, dizia-se feito de sólidos o imenso e tudo quanto desmesurado é o pouco no vazio a refletir ondas do mar que afundei oco,
que não sei mais mentir de palavras que invento de estradas que já andei desmedido é por dentro cavalo asas pé-de-vento...

- e todo o resto, não sei.