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ALGUM LUGAR

das coisas que se foram entre asas quebradas, pó, papeis velhos e memórias ainda contam segredos;
o espelho já não reflete a chave não fecha o vazio o relógio parado no tempo esfria em horas ausentes;
escadas giram em espiral para os desertos de gelo onde hibernam nos sonhos tanto que será esquecido;
estrelas asfixiam na luz ventos, silêncios, oceanos só queria sair desse lugar que ficou ausência em mim...

SEM INSPIRAÇÃO

no abstrato cavo o vazio
e a métrica subtraída respinga
o som da estrela sem fim,
fico de cara com a palavra quando o silêncio vira a página o seu eco, zomba de mim...

DIMENSÃO PARALELA

nunca estive lá e sempre estive lá no confluir onde o real se mistura com o que supomos ser imaginação,
atravessei mares, escalei montes construí os tijolos desses castelos que se desfazem na areia do tempo,
alguém diz que esse mundo inexiste outro duvida que se possa revelar o que a razão recobre em loucura,
mas sempre estive lá, é o que sinto em cada parede erguida no invisível entre as frestas que se ocultam na lua...

INTENSO

necessito urgente um poema que grite o nome das estrelas até se romper todo o silêncio,
que reescreva a linha dos dias e as noites derramadas de lua sejam eternas até tudo acabar,
um poema que una as pessoas dessa distância em que vivem até a proximidade que sonham,
e que simplifique os caminhos em que trafegam ideias, gostos cores de ouvir, os sons de olhar,
o poema fora da hora marcada fisgado na corrente da espera e que não diga como vai surgir,
que permita o incerto dos voos o mergulho na estrada que leve pelo imprevisto caos do intenso... 

SECRET BOOK

às vezes me pergunto por lugares onde não estive em quais deles ficou parte da memória que sonho em qual lua em qual mar o coração bateu despercebido...
tem sido assim a viagem por dentro das horas, dias no planeta que gira no quarto onde às vezes sigo a órbita num mundo preso no livro onde as palavras se escondem...

NA PELE DO CAOS

vago no deserto em mim de falhas de dissabores enquanto a lua deságua pela noite que não vem da janela, sei o tempo;
assim como sei o vazio e as estações do eterno os semitons das baleias das conchas, das pedras da gestação de existir;
quanto há de se debater no sargaço de incerteza e seguir a rota da vida? em que mar nos perdemos sem concluir o mistério?
num milésimo de segundo caem as regras os muros na cartilagem das horas na urdidura das sombras nas artérias do invisível;
o que resta se dissolve em músculos em estrelas arrepio na pele do caos paisagem vista ao longe de quando a noite chega…

VIDÊNCIA

Imagem
o que não me define é o que pulsa comigo e a mim se assemelha,
e embora meu reflexo por tudo se dispersa como chuva na telha;
o que não me inicia é origem do que sou seja o fim ou início,
o sopro da vertigem os ângulos da elipse o céu do precipício;

o que não me liberta não me detém a busca nem me restaura a fé,

me escraviza o corpo de um não lugar vazio
que a alma vê onde é;

que não me demarca
nem deserto ou mar nem pedra, lua, chão,

se o grito me resume um sopro do silêncio faz a palavra em vão...