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FRAGMENTADO

o corpo fragmenta-se poeira letal como a faca que apara vindima, sangue, e delírios,
o corpo se parte e desfibra tessitura de átomos em voar num transpassar de artérias,
o corpo incorpora a voragem em conjuras, e em alquimias brasas na chama que hiberna,
o corpo se retrai, e lateja deglute rios e bebe espaços em estações de gerar a flor,
o corpo é de trilha incerta no desenho da irregularidade tangenciando a pele do caos
o corpo se regira e inverte dispõe elipses, quadraturas na geometria do indecifrável,
o corpo se nega à fronteira e aos somatórios do infinito que ao sem medida reivindica,
o corpo prepara sua casca a forma que ao todo reúne o contínuo sopro da criação,
o corpo desintegra certezas para abrir as portas da asa em que se conectam os sonhos…


O OLHO DO TIGRE

não tenho a chave de mim mesmo enquanto isso, desafio que o tempo me mostre as palavras que não sei para além do que seja o ponto final;
preciso de assombros e tempestade de outras formas de revestir o físico e de uma gradação próxima do éter ou outro sentido que isso possa ter;
inauguro em inventários de opostos as cicatrizes que sangram alquimias os subterfúgios de dividir-se em um a transfiguração plena de realidade;
o olho do tigre diante da sua presa as batalhas que ainda não renunciei o espaço vazio do que calculava ser tudo é parte, indivisível, do que sou.


ALÉM DA JANELA

Imagem
a estrela emoldurada na janela é a paisagem que imagino agora mesmo que não veja uma estrela e não haja no momento a janela, e tudo isso seja apenas a fuga um modo poético de sair por aí a um lugar do qual não precise de meios físicos para alcançar,
e tudo se resuma a uma palavra algo que se cria na imaginação essas coisas de sonho desperto que bem ou mal mudam instantes,
e tudo possa ir mais além daqui do que se supõe ser a fronteira então, de um modo sobre-humano a vida comece a ter um sentido...

INÍCIO E FIM

é sempre além do limite a tela em frente, oceanos salão vazio, mundo perdido na feira desse cotidiano,
o desencontro em tudo os mundos que se evaporam aparências que não enganam espelhos que não mostram,
o espesso de um sangue a escorrer na artéria da rua os becos refugiam esse grito onde algo da luz se esvazia,
na lápide da esperança a chuva disfarça a lágrima mas pouco menos que o grão continua esse ciclo da vida.

CORRENTEZA

do nascer de uma flor no intervalo do tempo o morrer de uma pedra o silêncio, o esquecer,
de um pulo imprevisto da pulsação que vibra o acervo de ausências nas sacadas da espera,
sigo de lugar a outro desdobro nessa ponte perfilada de palavras e não sei como chegar,
amanhã, será o mesmo na esquina, num longe na curva sem estrelas no susto de continuar,
estarei a postos, sei mas não acho o porquê qual a certeza do rio que seja mais que mar...

MOMENTO

guardo rompantes de nuvens nas horas em que entardeço e a terra gira as esquinas para a lua brilhar seu véu,
quando entre deserto e mar o que sonho ampara o mundo ainda que algo sem sentido hiberne nesse sono sem fim,
escrevo segredos nas pedras que levam nas asas do tempo o quanto não vi do incerto quando o sol despe a aurora…
guardo rompantes de oceanos nas vezes em que me esqueço das coisas de pensar a vida e olho a imensidade seguir,
me disfarço a massa informe a parte inconclusa, a falta ondas fiam a carne da noite por essa ausência no mundo,
dividido em sombra e vazio viajante do que não alcanço recluso na própria miragem tudo que levo - é esse agora…

NOTURNO 2

tinha esse brilho nos olhos uma asa quebrada nos ombros tinha esse brilho de espelho transformado em muitos olhos,
a arte de resistir aos ventos sem nunca se opor à ventania do barro veio, o pó tudo leva no mesmo sopro que o esvazia;
tinha a carne fraca do sonho e uma lâmina acesa na vigília a espera que o devora alcança além da visão do fim das horas,
sua arte de esculpir o incerto desse sumo que destila a vida e esse desencanto que tudo leva ao jardim de cinzas esquecidas...