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Mostrando postagens de Junho, 2017

POÉTICA

sei contar estrelas até cansar e enumerar nuvens pelos tons umas mais cinza, outras azuis aprendi cedo a planar avessos,
deliberar os desusos e vazios foi um ato contínuo a discorrer assim como ver o imaginário fosse mais o certo que existir;
sei coisas do como, do quando que nenhuma soma dispõe ver tudo que seja fortuito me fala num idioma de aflorar os rios,
tudo de já esquecido no mundo me fala em olhos de horizontes o sol me forma sobre o tempo a lua me canta jeitos de sentir;
entendo o invisível e a poeira leio fragmentos em espelhos sei a rota que une o impossível a esse mistério do outro lado,
sei coisas do sempre, do porquê aquilo que se nega, eu afianço traço letras de tudo pertencer do pasmo ao imanente que advir...


A NOIVA DO VENTO

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Contam a mesma estória sejanoite -ousejadia anoivadovento se fora arrastada pelaventania,
Alguémviusuagrinalda ou alguém lhe pôs o véu e quem a levou embora nosrastrosazuisdocéu?
E diz-sequeamoutanto melhorquenemsediga
umnoivocioso,entanto… tirou-lheachamadavida,
Aoutroéquepertencia seudesejonãoeraoaltar asbodas são celebradas pelosredemoinhosdoar,
Vejo-adançarnoabismo todaalma e sentimento contamatristeestória se

DA SENTENÇA

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como o peixe foge do anzol essa solidez de névoa que se dispersa pelos vãos,
de um sentimento sem forma que ocupa os espaços vazios, sem raiz, sem chão...

como o anzol vigia o peixe essa demora de gestos que se levam na correnteza,
e mundos ficaram suspensos nas mãos do anjo caído condenado a abjurar a beleza...

AO DESTINO

num ponto equidistante entre tudo que alucina e a realidade em branco vejo pessoas apressadas,
seguem seu caminho reto absortos em pensamentos não sabem se o céu azul preenche os dias sem cor,
não sabem de cerejeiras ou de tardes pela praça carregam o peso do mundo enquanto a alma adormece,
essa tristeza que acena com uns olhos de névoas e asas rendidas ao chão navega num mar sem fúria,
não importa se há um fim a jornada não tem volta enquanto luzes se calam e sonhos morrem no ninho,
num ponto equidistante entre a farsa que salva e a verdade que condena a vida é bolha que flutua...

AO CANSAÇO

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entre meio dividido e pleno de cansaço me aproprio da brevidade que me limita os anos esperanças, e ilusões,
na tragédia que é a vida a buscar refrigérios consolo ao rés do sonho recitando os medos enquanto a luz estremece,
me nasce um torpor de não entender os porquês e não entendendo, investigo o que me faltasse ver que excedesse a dúvida,
há sempre menos nesse lugar solitário onde desviam-se certezas
até sobrar uma casca que se esvazia de existir,
me lanço em oceanos do quanto me desconheço de pensar, crer, ou propor desde escolher a meia ao átomo que se dissocia,
o cansaço se alterna e meu olho não distingue entre cores e ausências mas o que não muda é essa condição humana.

AO ETERNO

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um bater de asas no espaço e esse sussurro de  silêncios que se perdem na memória,
um indício de vida em fuga uma rota que leva à estrela que aponta caminhos futuros,
um cristal jogado nas águas a palavra que navega o livro a sufocar horas de esquecer,
um deserto forjado no sonho uma travessia de eternidade por labirintos, teias e muros...

À FANTASIA

procurava caracóis azuis e as anêmonas feitas de ar um certo toque de cristal num olho de pérola leitosa cabelos e asas multicores,
procurava castelos de areia sirenas de pele esverdeada uma música ouvida de longe um pássaro de fogo na lua um sono de jamais despertar,
procurava vales na aurora oceanos e rios invertidos dançarinas de vento e nuvem barcos perdidos na geleira dragões num quadro sem cor,
procurava o sentido latente uma loja de penhores em Fez um cego na trilha do nunca a palavra o mistério e a luz mas não sabia onde encontrar...