POÉTICA

sei contar estrelas até cansar
e enumerar nuvens pelos tons
umas mais cinza, outras azuis
aprendi cedo a planar avessos,

deliberar os desusos e vazios
foi um ato contínuo a discorrer
assim como ver o imaginário
fosse mais o certo que existir;

sei coisas do como, do quando
que nenhuma soma dispõe ver
tudo que seja fortuito me fala
num idioma de aflorar os rios,

tudo de já esquecido no mundo
me fala em olhos de horizontes
o sol me forma sobre o tempo
a lua me canta jeitos de sentir;

entendo o invisível e a poeira
leio fragmentos em espelhos
sei a rota que une o impossível
a esse mistério do outro lado,

sei coisas do sempre, do porquê
aquilo que se nega, eu afianço
traço letras de tudo pertencer
do pasmo ao imanente que advir...



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NOTURNO 2

MOMENTO

FREEDOM