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Mostrando postagens de Julho, 2017

FILME NOIR

já era tarde da noite e as ruas dentro de mim estavam vazias de pensamentos os postes cheios de estrelas eram transportados ao céu…
não era hora de ser romântico não tinha vinho na taça o sangue a pulsar nos músculos tingia de vida a imaginação (é certo que anjos choravam…)
o que restou do mundo - um quadro de Dali em chamas - tudo dormia no gelo da madrugada grilos faziam o fundo musical num cenário de filme noir…
da janela olhava a vida num lugar qualquer do planeta sons à distância lembravam que há os que nunca dormem (será que eles jamais sonham?)
e o que restou do mundo cabia numa frase de Nietzsche para o qual olhar abismos os fazia refletir de igual modo o inominável em nós submerso…  

O EQUILIBRISTA

destituído de certezas atravesso o fio da realidade passo a passo com a dúvida nesse exercício de equilibrar a verdade que me sustenta;
o que me leva ao outro lado é também o que me paralisa ações e reações estudadas em gestos de inseto e fúria a fundir carne e metafísica;
o que me espera, desafia em cada milímetro no espaço não importa se à distância rugem os pecados, e o medo me devolve uns olhos vazios;
nada importa mais que ir na hesitação mesma, e na dor apesar de, a meio caminho, compreender não ser possível chegar onde jamais se alcança…


À SOMBRA

essa filosofia que procuro meio bêbada pelos becos meio nua de artifícios, cética e sem um norte improvável no improvável das questões,
me excita o sexo amoldado me fura os olhos, a lucidez o patético da cobiça inútil o medir-se em comiserações no extremo das ausências,
não sou bom em investigar desconfio dessas equações rezo incensos de distâncias preces onde afundo os pés a semear suor, e cansaços,
as asas partidas, os refugos estilhaços de olhos, febres maleitas, remorsos a gemer num coito de interrogações no improvável de saber-se,
essa matemática de desvios
refaz subtrações e vertigem o hesitar de por-se a caminho e descobrir o pó do sempre na sombra que vaga o infinito…

STANDBY

Imagem
me devoto ao impossível tanto quanto creio no tempo e seja próprio do existir o embate inútil das ideias,
me devoto aos artifícios como se a derme calcificada da alma, toda se adequasse em mimetismos e disfarces,

no indissolúvel contrato do desencontro, e do vazio tudo é uma espera constante enquanto se macera a vida,
mas o espetáculo continua seja noite ou tempestade e o que movimenta a máquina
ao menos também a pulveriza...