ARQUIVO DE SOMBRA E VENTOS


Enigma - por J. Ribas

ARQUIVO DE SOMBRA
 E VENTOS

Tenho guardado em mim
O arquivo de rever a vida
De não chegar ao impossível
De já estar pronto, do sonho
Enquanto estou vivo
De querer improvisar a festa
E vontade de bem amar
Ainda sinto que me resta

Tenho guardado em mim
As sombras, desejos, o escuso
O breve discurso do método
O porto não tão seguro 
O sol dividido no bolso
A elegia e o cantochão
Os lugares onde não andei
As mordidas no pescoço
  
Tenho guardado cioso e ausente
As tempestades e o vento
Brumas que dilaceram teofanias
Entre constância e resignação
A panela das estórias
Onde fervilham teimosias
E os aromas da ocasião
Que defumam as memórias

Não quis guardar o invisível
Por simples descuido
Mas o absurdo, e o implacável
Que poupo sem motivo
E nas caixas lacradas, os desafios
Dos pecados sem perdão
Digladiam-se no cio divinatório
Dos deuses sem predição

Que saberei guardar também
O teorema da alma aflita
A teoria poética do bem
A receita de batatas fritas
Da filosofia, o excelso incensário
E a culpa de não ser sincero
O que soma mais um zero
E conclui o meu breviário.


Abstrato - por J. Ribas

Às vezes fico a procurar a palavra certa
nessa busca arredia,
Mas a palavra é que me acerta a alma,
como flecha o sol ao meio-dia.
J. Ribas 










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