REVOADA


Joan Miró

Estanquei fibra a fibra o silêncio
Da palavra que não pronuncio,
Mas não tem nada que me cale
Essa revoada de guizos no vazio;

O que era tanto se fez pequeno
Disperso entre minúcias em mim,
Não está na encosta do terreno
Nem na poeira que raspei, enfim;

As regiões do vir a ser imaginário
Sigo de meridianos no sol a pino,
Perdi estrelas em cálculos vários
Na rota desse barco clandestino;

Porém, que o silêncio ainda fale
O rugido de qual seja o balbucio,
Que não tem nada que me cale
Essa revoada de guizos no vazio.

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