NOTURNO 2

tinha esse brilho nos olhos
uma asa quebrada nos ombros
tinha esse brilho de espelho
transformado em muitos olhos,

a arte de resistir aos ventos
sem nunca se opor à ventania
do barro veio, o pó tudo leva
no mesmo sopro que o esvazia;

tinha a carne fraca do sonho
e uma lâmina acesa na vigília
a espera que o devora alcança
além da visão do fim das horas,

sua arte de esculpir o incerto
desse sumo que destila a vida
e esse desencanto que tudo leva
ao jardim de cinzas esquecidas...

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