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O OLHO DO TIGRE

não tenho a chave de mim mesmo
enquanto isso, desafio que o tempo
me mostre as palavras que não sei
para além do que seja o ponto final;

preciso de assombros e tempestade
de outras formas de revestir o físico
e de uma gradação próxima do éter
ou outro sentido que isso possa ter;

inauguro em inventários de opostos
as cicatrizes que sangram alquimias
os subterfúgios de dividir-se em um
a transfiguração plena de realidade;

o olho do tigre diante da sua presa
as batalhas que ainda não renunciei
o espaço vazio do que calculava ser
tudo é parte, indivisível, do que sou.



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ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

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