Pular para o conteúdo principal

DIVAGAÇÃO

sob o juízo do provável
toda vida seria triste
desse caráter da tristeza
que a tudo impõe o vinco
e fere o que há de leve,

mas não me fio apenas
nesse lado do controverso
pedregoso e duro caminho
que é o de manter-se vivo
com um mínimo de sentido,

nem também me privo
da experiência de ousar
para além das imposições
a liberdade que se busca
contraditória, ou não,

não precisamos contar
seja da vida, ou do ser
qualquer coisa ordinária
que não nos seja vivida
de experiência própria,

cada um de nós carrega
por imposição, e destino
porções fartas dessa dor
mas também uma teimosia
de enfrentar o que vêm,

tristes por condição
sonhadores por pretexto
guiados pelo imprevisto
damos ao norte inevitável
o que nos é determinado,

então, se a lua submerge
as montanhas envelhecem
ou nuvens se transfiguram
o sem fim mostra o caminho
pelos desvios da poesia…



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.