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DESPERTAR

Sempre havia uma forma
de pular no rio, de pegar a nuvem
de inverter as coisas, depois dormir,

então, catar no silêncio do lago
isso que emerge quando se escuta
umas não linguagens mudas de sentir;

Sempre havia um jeito
de mudar o mundo, comer a fruta
colhida na lua, viajar numa estrela,

então, recomeçava o dia
mesmo que fosse a mesma história
e nem mesmo sonhos pudessem detê-la;

Sempre havia aquela fenda
na fresta da porta, ou no telhado
no escuro da vida, e essa esperança,

como se tudo feito mais leve
domasse a tristeza, fel desse mundo
e tudo em nós acordasse mais criança…

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Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

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