Pular para o conteúdo principal

DESPERTAR

Sempre havia uma forma
de pular no rio, de pegar a nuvem
de inverter as coisas, depois dormir,

então, catar no silêncio do lago
isso que emerge quando se escuta
umas não linguagens mudas de sentir;

Sempre havia um jeito
de mudar o mundo, comer a fruta
colhida na lua, viajar numa estrela,

então, recomeçava o dia
mesmo que fosse a mesma história
e nem mesmo sonhos pudessem detê-la;

Sempre havia aquela fenda
na fresta da porta, ou no telhado
no escuro da vida, e essa esperança,

como se tudo feito mais leve
domasse a tristeza, fel desse mundo
e tudo em nós acordasse mais criança…

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.