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INÍCIO E FIM

é sempre além do limite a tela em frente, oceanos salão vazio, mundo perdido na feira desse cotidiano, o desencontro em tudo os mundos que se evaporam aparências que não enganam espelhos que não mostram, o espesso de um sangue a escorrer na artéria da rua os becos refugiam esse grito onde algo da luz se esvazia, na lápide da esperança a chuva disfarça a lágrima mas pouco menos que o grão continua esse ciclo da vida.

CORRENTEZA

do nascer de uma flor no intervalo do tempo o morrer de uma pedra o silêncio, o esquecer, de um pulo imprevisto da pulsação que vibra o acervo de ausências nas sacadas da espera, sigo de lugar a outro desdobro nessa ponte perfilada de palavras e não sei como chegar, amanhã, será o mesmo na esquina, num longe na curva sem estrelas no susto de continuar, estarei a postos, sei mas não acho o porquê qual a certeza do rio que seja mais que mar...

MOMENTO

guardo rompantes de nuvens nas horas em que entardeço e a terra gira as esquinas para a lua brilhar seu véu, quando entre deserto e mar o que sonho ampara o mundo ainda que algo sem sentido hiberne nesse sono sem fim, escrevo segredos nas pedras que levam nas asas do tempo o quanto não vi do incerto quando o sol despe a aurora… guardo rompantes de oceanos nas vezes em que me esqueço das coisas de pensar a vida e olho a imensidade seguir, me disfarço a massa informe a parte inconclusa, a falta ondas fiam a carne da noite por essa ausência no mundo, dividido em sombra e vazio viajante do que não alcanço recluso na própria miragem tudo que levo - é esse agora…

NOTURNO 2

t inha esse brilho nos olhos uma asa quebrada nos ombros tinha esse brilho de espelho transformado em muitos olhos, a arte de resistir aos ventos sem nunca se opor à ventania do barro veio, o pó tudo leva no mesmo sopro que o esvazia; tinha a carne fraca do sonho e uma lâmina acesa na vigília a espera que o devora alcança além da visão do fim das horas, sua arte de esculpir o incerto desse sumo que destila a vida e esse desencanto que tudo leva ao jardim de cinzas esquecidas...

FREEDOM

antes que me digam o que fazer abro as portas de par em par salto na fogueira acesa na lua mergulho o mar dentro dos olhos, antes que me digam o que fazer derramo palavras pela ventania pego o dia no peitoril da janela folheio as asas e rios do tempo, antes que me digam o que fazer dou à volta ao mundo num delírio jogo as tintas da luz na sombra reconquisto uma terra de sonhos, antes que me digam o que fazer deixo na praia a pele de escamas recolho nas ondas a minha alma e visto toda a nudez da liberdade…

DO QUE SEI

me custa é deter da tempestade a lucidez que não sei traduzir é trazer dos caminhos que andei a distância que não foi vencida, me custa essa nudez de desertos e o silêncio de um mar esquecido e o que quer que circule a rota das sombras de noites sem farol, sei desvelar das gotas de chuva uma ânfora que não esvazia a dor sei ler nas estrelas essa falta que não se coaduna nas palavras; me custa é apreender pelas horas no eclipse sem fim da eternidade e essa álgebra escrita em brasas de átomos a multiplicar os anjos, me custa retirar algo do sentido de nada possuir qualquer sentido e alcançar a eloquência do vazio no eco que se basta por si mesmo, sei da espera que devora, e adia desse hemisfério de seres adiados sei de toda história mal contada e de todas que não se deve contar...

BROKEN HEART

by J. Ribas