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O POETA RETORNA

A POESIA jamais morre, ela gane, se retorce, estrebucha formas de falar suas brasas, incendeia as florestas densas do medo, transfigura alquimias novas e recém-nascidas dores, e então, teimosamente como o vento que dança nas montanhas, para lhes lapidar as alturas, ela retorna na correnteza do poeta, como um rio incessante que não descansa até juntar-se ao mar de sentir. 
Depois de mais de três anos sem postar nenhum poema, retorno a esse espaço em que partilhei parte de sonhos e pensamentos, na busca de uma linguagem própria e de uma voz que traduzisse ideias e sonhos. Não devemos parar de sonhar, não nos seja permitido desistir dos sonhos, seja por qual circunstância for, pois é parte da aventura de existir, o seguir em frente, sempre. (J. Ribas)






Me faltava provar novamente do vinho
e sentir a carne e o sangue da terra 
quanto tempo naufraguei entre escuros
o barco da minha paixão despedaçada,

e fiz o desenho sem contorno do invisível
que em mim leva o silêncio das palavras
a uma terra sem nome, mar de calmarias
e esqueci como devem ser as tempestades,

mas agora revejo o pássaro da manhã
lançar seu canto na luz de um dia claro
e meus olhos, antes feridos de escuridão
se lançam ao pleno, nos rasgos das auroras.
                                                 (J. Ribas)






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ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.