Pular para o conteúdo principal

SONETOS


DE MOMENTO

Nas asas partidas do cata-vento
Deixei o rastro de estrelas e sóis
Arrastar-se ao céu de cordilheiras
Para depois sufocar em arrebóis

Réstias de luz faíscam em nuvens
Que mal se ocultam na fantasia
E surge do nada uma inspiração
A agitar no amontoado dos dias

O que faço para entrar no recinto
Se não trago a chave da cantiga
E não mais que versos pressinto?

Como ondas invisíveis de um mar
Que de uma ponta a outra se liga
Ao momento que sigo a navegar...


DE DEVANEIO                                                                                                             
Examino qual espaço será esse
Que vejo e não encontro o fim
Penetro o azul, às vezes o vítreo
A se afastar em redor do jardim

Se bem me recordasse é o mar
Submerso pelas aleias do tempo
A transcorrer em si as distâncias
De levar os mistérios por dentro

Numa estação sem chegar ou ir
A guardar estrelas que vão cair...
Talvez se disfarce pela paisagem

Ou é um lugar antes do mundo
No esquecimento que levou tudo
E para o qual os devaneios viajem.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.