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SONETOS


DE MOMENTO

Nas asas partidas do cata-vento
Deixei o rastro de estrelas e sóis
Arrastar-se ao céu de cordilheiras
Para depois sufocar em arrebóis

Réstias de luz faíscam em nuvens
Que mal se ocultam na fantasia
E surge do nada uma inspiração
A agitar no amontoado dos dias

O que faço para entrar no recinto
Se não trago a chave da cantiga
E não mais que versos pressinto?

Como ondas invisíveis de um mar
Que de uma ponta a outra se liga
Ao momento que sigo a navegar...


DE DEVANEIO                                                                                                             
Examino qual espaço será esse
Que vejo e não encontro o fim
Penetro o azul, às vezes o vítreo
A se afastar em redor do jardim

Se bem me recordasse é o mar
Submerso pelas aleias do tempo
A transcorrer em si as distâncias
De levar os mistérios por dentro

Numa estação sem chegar ou ir
A guardar estrelas que vão cair...
Talvez se disfarce pela paisagem

Ou é um lugar antes do mundo
No esquecimento que levou tudo
E para o qual os devaneios viajem.

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Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

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