Pular para o conteúdo principal

SEM FINAL

que desejo jaz nas gavetas,
a espera de um dia se encontrar
as coisas dadas por perdidas?

que mar não foi conquistado,
adormece sem marés ou estrelas
em terras ainda a descobrir?

que gemidos fechados na casa,
vão a se desfazer em poeira 
enquanto a esperança anoitece?

quantos olhos postos à janela,
vigiam os pássaros de sonhar
que o tempo engoliu nos ninhos?

que danças ficaram no salão,
sem que se pudesse concluí-las
antes do chegar o Armagedon?

que castelos foram tragados
nas mãos imprevistas das ondas
antes de se poder inventá-los?

que vidas foram suspensas
como semente em um solo árido
e a poeira é tudo que resta?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

CICLO e outro poema

CICLO Não tenho o que fazer E então imagino versos Melhor do que guerras É reinventar universos Melhor que navegar só Ter palavras na vereda Mais denso que cálculo Ou musa que interceda À falta de aventurar-se Enlouqueceram muitos Já desaprendi as regras Dos contratos fortuitos Deixo a cargo do acaso Redescobrir a liberdade As cores de pintar o céu As paródias da verdade Não preciso saber muito Nem desejo saber nada Nada tenho a que fazer E reinicio quando acaba. DESEJO ambicionava montanhas na minha cidade não há assim invento mergulhos, e me preencho de alturas que não posso escalar... precisava de temperança na minha cobiça não cabe assim, me rendo à gula, e tomo o mundo com ganas mesmo que não o engula... a necessidade me leva em busca de uma alquimia de transmutar os enganos, e me aferro à lacuna ...