Pular para o conteúdo principal

VAZIO EM BRASA

me arde a asa amputada
de um desejo que tolhi
em vãos escuros de águas
a escorrer dias febris,

me falta a região de mar
que não pude estancar
numa sangria de percorrer
histórias que não fiz;
Micha Gordin - meiaseis.com

me acalanta uma canção
toada na voz dos montes
onde grita sem cessar
um jardim de distâncias,

me fere a eletricidade
de exaurir a sofreguidão
e ninguém desata o nó
a me sufocar tanta ânsia;

me esconde esse abraço
de tentáculos e incertezas
que me fixam à fronteira
de tanto esquecimento,

me consome as geleiras
em salões transparentes
onde queimam na escuridão
as sombras que invento...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.