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SALTIMBANCO




Já fui o saltimbanco ligeiro
Disfarçado em alegria,
Nas praças exibi o espetáculo,
Ao meu lado andava a magia
Da ilustrada loucura
E dos pantáculos;

Um dia quebrei as asas
No salto escuro do trapézio,
Entre o infinito e a dor
Vivo agora sem rumo,
Não sou herói nem bandido
Pirata ou domador;

Piso as rimas
Submersas pelo espaço,
Viajo léguas sem compromisso
Até as fragas do sonho,
Não sei o que quero com isso
Porém, disso me refaço.

§§

E lutei, como luta um solitário
Quando alguém lhe perturba a solidão.

Miguel Torga

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ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

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