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BARCO DE PAPEL




Numa folha de papel colorido
Dobro um barco com as mãos,
Como se dobrasse outros tempos
E o arremesso nas águas que vão

Desliza pela enxurrada que cai
De nuvens que regam a imaginação,
O barco que vem menos por nostalgia
Que por uma lembrança que se trai

Pois quis ver motivos em barcos
Em temporais que vazam no coração,
Entanto são as horas que se arrastam
Em durar, e fingir-se embarcação...


  
Que estou na equidistância
de uma fração dividida,
A alma reparte-se em mares
que se evaporam da vida.
J. Ribas

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