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CORAGEM

rezo em minhas noites de insônia
para o recôndito deus que se apiede
dos meus medos, e desses medos
que nem sequer os carrego em mim;

e às vezes, ouço na cor do silêncio
a distância entre minha alma e a sua
como se juntos, pudéssemos compor
a materialidade de todos os vazios;

diante da minha incerteza o flagelo
da inconstância, e do pouco zelo
por tudo quanto é servil, e humano
tudo quanto se presume da verdade;

uma medida para gestos, e desejos
outra para o tempo, para as estrelas
a fantasia da liberdade pinta o céu
de um azul que não se pode lembrar;

não posso escolher o que seja real
dessa irrealidade que desenha a vida
o que guardo de mim, é a coragem
de seguir à frente do que me ofusca;

nas minhas noites de insônia finjo
que adormeci para além do que seja
e o deus – ao qual me apego em vigília,
é o sonho que torna possível existir…

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Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

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