Pular para o conteúdo principal

FRONTEIRA

entre a porta fechada
e a hora de ir embora
entre a palavra certa
e o equívoco de mentir,

entre medos e esporas
e a anuência de sofrer
entre a abóbada do céu
e a ardência do nadir;

entre o beijo e a lua
equidistantes da alma
Ambrits Tamás - meiaseis.com
entre penumbra e sóis
contidos nos músculos,

entre a aurora do fim
e o riso da esperança
entre o Grimório mudo
e o nada dos opúsculos;

entre a ponte e o rio
na lâmina das espadas
entre sonhar ou dispor
da matéria dos mundos,

entre o ser e não ser
dos poderes que lutam
entre o eterno e o pó
espalhados nos fungos;

entre os olhos a voar
desde mares e trilhas
entre dedos de cerzir
a tapeçaria do ignoto,

entre o que é, e será
sem cuidar da partida
por cruzar a fronteira
de ser o que não volto...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.