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SE FOSSE POETA

ah se fosse poeta
e arrancasse das pedras
as histórias que não sei
e colhesse das nuvens
a seiva de um azeite
que curasse o pranto,

ah se fosse poeta
e soubesse, sem cálculo
a desmedida das coisas
e forjasse em fogos
uma espada sem corte
que aplacasse a dor,

ah se fosse poeta
e entendesse o simples
de desentender o jeito
e as porosas escamas
de saltar rio sem fim
de o tempo existir,

ah se fosse poeta
e fizesse arder a chama
de viver a eternidade
nessa faísca de luar
e estrela e risos e luz
que exaurem o amor,

ah se fosse poeta
e soubesse o que diz
o silêncio da alvorada
quando a luz crispa
pela escuridão afora
no limiar de se romper,

ah se fosse poeta
e sem mais necessitar
do crocitar da palavra
apenas calasse da alma
isso que à ânsia golpeia
sem ter ferido sequer...

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Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

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