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CICLO

estava ali, a lagarta
como nem sequer fosse
ou sequer fizesse parte
das coisas de existir,

a lagarta patética
em seu frêmito mesmo
despercebida de tudo
desde títulos à castas,

presa de sua fome
como eu, aprisionado
nessa busca de enxergar
onde não me alcanço,

na fúria de alimentar
o inexprimível de suprir
vazios que se concluem
na voragem dos ciclos,

a lagarta, o impulso
como voar é partícula
da propriedade mesma
a compor o pássaro,

o homem, a travessia
como viver é seguir
desde essa reinvenção
de muitas paisagens,

e o que fica depois?
para a lagarta - o sono
de aquietar o desejo
e se tornar a cor viva,

até que possamos
no acordar dos sonhos
tecer a veste que dispa
a nossa humanidade...

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ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

CICLO e outro poema

CICLO Não tenho o que fazer E então imagino versos Melhor do que guerras É reinventar universos Melhor que navegar só Ter palavras na vereda Mais denso que cálculo Ou musa que interceda À falta de aventurar-se Enlouqueceram muitos Já desaprendi as regras Dos contratos fortuitos Deixo a cargo do acaso Redescobrir a liberdade As cores de pintar o céu As paródias da verdade Não preciso saber muito Nem desejo saber nada Nada tenho a que fazer E reinicio quando acaba. DESEJO ambicionava montanhas na minha cidade não há assim invento mergulhos, e me preencho de alturas que não posso escalar... precisava de temperança na minha cobiça não cabe assim, me rendo à gula, e tomo o mundo com ganas mesmo que não o engula... a necessidade me leva em busca de uma alquimia de transmutar os enganos, e me aferro à lacuna ...

CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.