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O DENSO E O BREVE

Dentro de mim
não mais que o denso vazio
é onde escondia os acalantos
traçados em gestos e sombras
perdido noite adentro
dentro de mim,

Um aviso, no silvo
do vento, me prendia a alma
sonhos e causas inexistentes
verdades e pão na travessa
e a boca entreaberta a engolir
palavras requentadas,

Em algum lugar
um pássaro migra no espaço
leva com ele uma expectativa
de clima quente e ninhos seguros
toda a vida reunida nas asas
e tudo vale o risco,
                             
Na aula de álgebra
contas mágicas em ciranda
olho o rosário de nenúfares no ar
não vejo mais que as certezas
ficando para trás, aos poucos
uma lição de equívocos,

Quanto devo ainda
de lágrima e convulsão e frio
de medo e cobiça e relutância,
a tantas coisas me prendi
em nenhuma delas sou livre,
quanto devo ainda?

Vejo os sinais, lá fora
nas árvores o instante cochila
a brisa que pesa nas folhas,
o que é tempo se irradia
e recolho no poente, o fruto
da vida, peremptória flor.

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Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

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