Dentro de
mim
não mais
que o denso vazio
é onde
escondia os acalantos
traçados em gestos e sombras
perdido
noite adentro
dentro de
mim,
Um aviso,
no silvo
do vento,
me prendia a alma
sonhos e causas inexistentes
verdades
e pão na travessa
e a boca
entreaberta a engolir
palavras requentadas,
Em algum
lugar
um
pássaro migra no espaço
leva com
ele uma expectativa
toda a
vida reunida nas asas
e tudo
vale o risco,
Na aula de
álgebra
contas
mágicas em ciranda
olho o
rosário de nenúfares no ar
não vejo
mais que as certezas
ficando
para trás, aos poucos
uma lição de
equívocos,
Quanto
devo ainda
de
lágrima e convulsão e frio
de medo e
cobiça e relutância,
a tantas
coisas me prendi
em
nenhuma delas sou livre,
quanto
devo ainda?
Vejo os
sinais, lá fora
nas
árvores o instante cochila
a brisa
que pesa nas folhas,
o que é
tempo se irradia
e recolho
no poente, o fruto
da vida, peremptória flor.

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