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OUTRO POEMA

Máscaras - por J. Ribas

OUTRO POEMA

Matou-se o pouco de mim cada dia
E a cada volta da emboscada
Foi-se a alegria, de fantasia rasgada
Um sugou o cobertor de estrelas
Outro ainda, o fogo que alimentava

Ficou um sorriso de vidro, transfixado
Num momento que não mais vem
Porém, selei da vida um emblema
Dos avessos que enlaço meu dilema
A campear verdades aqui e além

Que não vão fisgar a réstia de vida
Nem as veredas pelos quais saía
A revirar as distâncias em liberdade
Não puderam atalhar os infinitos
Guardados na prensa da ventania

Escolhi o meu campo de batalha
Da luta forjada no pensamento
E se desato mancheias de espanto
É de levar às vias do impossível
A busca de significados que canto.

Comentários

  1. Lindo poema! Adorei essas imagens todas que, mesmo sendo de desencanto, são lindas! Parabéns por tanta sensibilidade! Preciso lhe fazer mais visitas! Abraços!

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  2. Grato pelas palavras, fico feliz que tenha gostado. Pode visitar sempre, poesia é uma troca de experiências, e muito da mensagem se encontra no coração de quem lê! Abraço!

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CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.