Pular para o conteúdo principal

NOTURNO

§1
leve é a chave de seguir 
a correnteza, 
sem impedir espaços de crescer 
além do que alcança o olhar,

a ternura dos anjos emoldura 
os olhos do tempo 
quando tudo em volta se põe 
num sopro de esperar...


§2
já vi o sol no espelho a refletir 
na imaginação 
os mundos que pudessem 
ainda que por pouco existir,                        

e os dias que se estendem 
entre roldanas 
a girar voltas que se alternam
em chegar e partir...


§3
é estranho o som do luar 
quando os pirilampos 
batem as asas levemente 
nos ramos prateados dos trigais,

e quando a noite já dispersa 
traz em seu manto os feixes
do silêncio, refletido pelas estrelas 
que brilham mais...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.