Pular para o conteúdo principal

DIÁRIO

não estava preocupado
com a posição da cadeira
o giroscópio o guarda-chuva
ou as pautas do cotidiano,

lustrava o vazio dos copos
os insetos da varanda
as plantas dentro do relógio
o peixe empalhado no teto,

pintava umas borboletas
na órbita lustrosa dos olhos
lambia as ondas da praia
que se estendia pela janela,

polia o mecanismo do vento
observava nas asas da lua
os lêmures em slow-motion
a afundar entre as nuvens,

escutava músicas coloridas
escrevia hieróglifos invisíveis 
comia eufemismos baratos
e fotografias velhas em P&B,

não fiz mais por me gastar
com a roupa nova do rei,
no mapa do tesouro perdido
há tempos, me desencontrei...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.