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BELEZA

me dispo na bruma o verbo
na clareira oculto a sombra
provisório, navego o eterno,

nos mares agito os penedos
das cercanias a me revolver
é que cavalgo a fera, o medo,

no corpo estilhacei a palavra
canto, da poeira aos montes
finjo o labirinto que me cava,

sigo a trilha que se esconde
beleza, é esse voar sem asas
numa dor sem saber de onde.

Comentários

  1. Lindo poema. Falar sobre a beleza,o amor e a vida nunca foi difícil aos artistas. Esses nesse ínterim são os mais responsáveis pela beleza que existe.

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    Respostas
    1. Obrigado, Lima Sousa, a arte existe para que a realidade não nos mate, como disse o Nietzsche! Abraço!

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CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.