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SOPRO


Dance - by H. Matisse

Ouço de um mundo imaginado
Os ecos sem rumo que rebentam
Por entre ventos a inventar festa
De bandeiras a saudar o tempo

Quis dançar e no enlevo da vida
Tal menestrel do planeta errante
Girar nos arcos do sol incendido
Entre vestais bêbadas e amantes

E contar segredos que não ouvi
Suspenso entre a vida e o sonho
Livre nas asas da estação que vai
Pela brevidade de que disponho

Pois o caminho que amanhece
Esse que continuará em verdade
É o sopro humano que diviniza
 E não a duração da eternidade.

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Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

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