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POEIRA DE ESTRELAS


Noite Estrelada - Vincent Van Gogh

Descobri poeira de estrelas
Num pedaço amassado de papel
Nele guardei dos meus sonhos
O que a vida inteira me passou
Breve, rodopio, carrossel

Fui menino alado de voar os dias
Cavaleiro de dançar folguedo
Namorador e rei de sereias
De espantar dragão e calafrio
Com o sol nos meus brinquedos

Fui homem manso e falador
Decifrador de sinais e estórias
Que quis mulheres e foi amando
Corsário que arriscou do amor
O tempo de não sei quando

Fui velho a cismar o eterno
Feiticeiro de domar os litígios
Viajante das minas do inverno
Amálgama de deserto e nevoeiro
Por entre os ecos dos vestígios

E da poeira que não vou contê-la
Por sobre os escombros da vida
Ou nos estilhaços da estratosfera
Traço o arado nessas partidas
Vou semear terras mais belas...

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ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

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