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SAMSARA

sim, estou perdido demais
para ensinar um caminho
e não vou esconder a fogueira
para abstrair sobre o escuro,

desconheço se escolhi certo
mas sei como é estar aqui
pode não haver mérito nenhum
ainda não provei meu limite,

dispenso as apresentações
listas, uniformes, recibos
as normas a serem seguidas
essas diagramações de sentir,

dispenso a dosagem certa 
a roupa de frio, e os chás
manter o foco, comer aveia
e os estágios para o sucesso...

roteiros excluem descobertas
leis não impedem terremotos
ditadores, um dia, morrem
medo é o búnquer da liberdade,

seja por qual for o preço
vale a pena gastar a vida
no fim, o resultado é um só
que tempo é moeda sem retorno

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CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.