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TORMENTA EM BLUE’S

sob dezembros de não mudar,
de um céu azul cobalto, extraí
ideias de não existir certezas,

e assim – desarrumo esse dia
numa espécie de desencanto
entre o humano, e transitório,

o filósofo tem razão, em dizer
de sermos todos condenados
à prisão extensa da liberdade,

mas nem o fato de saber isso
do como é decisivo esse peso,
impede a alma de se escutar,

e no antes que tudo houvesse,
a tormenta nos ergue as asas
mal supostas do sonho perdido.

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Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

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