Pular para o conteúdo principal

ULTIMATO

O perfume barato da escolha
me despertou o começo da tarde,
...falta mar na esquina da rua;

Caminho - por J. Ribas
Deparo com uma lembrança
em cada um dos meus dedos,
peças do tempo, coisas de durar;

De todas as formas de tortura
pastar memórias é a mais inútil,
...falta sol no solfejo da chuva;                                                                   
O dragão pousa entre a porta
e o espaldar da cadeira, boceja,
não decide se vai, se fica em casa;

Por todos os lados há caminhos,
quando começo a festejar a vida?
...falta voar na crina dos telhados.

Comentários

  1. "..falta mar na esquina da rua;"
    "...falta voar na crina dos telhados." poeta, esses versos são geniais!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. grato! palavras vindas de poeta com talento e verve tão profícua , muito me honra! abraços!

      Excluir

Postar um comentário

Comente os textos, suas críticas são bem-vindas e sugestões também. Obrigado!

Postagens mais visitadas deste blog

CÔMPUTO

A equação do voo das moscas o zunido do fosso dos ventos, O número de grãos da areia a ferrugem dos dias e da alma,                                                                        O azul a lua etérea,                              as páginas obscuras do Índex, voos e ardis,                                                                                 O abecedário das formigas o sustenido dos pardais, O sol nos bancos das praças a ordem objetiva do mundo... Tudo foi calculado.

ESTANTE

Colaboração de Rita Carvalho   em desenho de  Raquel Pinheiro (clique para ampliar) ando a procurar inspiração me fogem as palavras, como dizê-las? as razões e os modos desaprendi; o único caminho que sigo, ainda, é entre incertezas; guardava poetas na estante mas hoje os guardo lendo a vida e reconheço, viver é intraduzível; o único caminho que sigo, mesmo, é entre asperezas; tem momentos em que o silêncio faz gritar a poesia com palavras que não se escrevem... não quero descobrir os caminhos, apenas ter a luz acesa.

O OUTRO

Me desfiz de mim há algum tempo esse que tropeça entre móveis, gestos é outro mais incerto, Aposto aos dias às horas mornas cego e absoluto Menino Sentado - Portinari de vazios, equívocos viagens sem retorno, Faísca em geleiras seu coração rude mãos calejadas                         o arado nas pedras a trespassar o desejo, Abala os montes acordos, os mitos apura a veleidade inútil das esperas, do sonho impossível, Falho de verdades à beira do abismo entre asa e vento segue o caminho, é outro mais incerto.